Leitura de 1 de abril de 2026

Absolute Lanterna Verde #1


por Al Ewing e Jahnoy Lindsay 56 páginas Editora Panini Ano 2026

Há também horrores na luz

Página 24 de Absolute Lanterna Verde #1

Dentre todos os aspectos da narrativa de contato com seres de outro mundo, principalmente em histórias com alienígenas, uma das coisas que sempre me fascina é o desenrolar do primeiro contato.

Em particular não tenho um tipo favorito de primeiro contato, pode ser um clássico desenho na plantação no interior, um filme de VHS com vultos no fundo, ou como em Absolute Lanterna verde, o logo da “Lanterna Verde Corps” que cai no meio da cidade.

Este primeiro volume serviu bem como uma apresentação geral de personagens, e já nos coloca em uma situação de conflito. Mas é nos flashbacks recentes da história que o volume brilha para mim, onde flerta com um terror cósmico bem interessante.

Opa! Cuidado a frente

Escrever notas sobre leituras nem sempre é fácil sem trazer um pouco de spoilers com o texto. Por isso queria avisar que desta parte do texto para frente talvez existam spoilers de: Absolute Lanterna Verde #1.

Se não quiser que isso impacte sua experiência lendo estes volumes, volte depois da sua leitura!

A abertura do quadrinho apresenta, de maneira muito interessante, o fardo de Hal Jordan, esse coração secreto de cada estrela que é relacionado a ausência de luz, e agora atrelado a ele, aparece como uma entidade de perturbação, de corrupção e de poderes que ele não controla.

A estética circular, que aparece em vários quadros do volume, me lembrou quase na mesma hora de A Chagada, meu filme de ficção científica favorito. O símbolo é muito bem usado com suas bordas não lineares e quase que fora de controle para demonstrar a dificuldade de se lidar com este ser, o que fica muito bem complementado quando Hal acaba usando, de maneira descontrolada, os poderes para se proteger.

Página 9 de Absolute Lanterna Verde #1

Quando o primeiro contato acontece em Evergreen – ou cidade SempreVerde, lanterna verde, pegou a piadoca? – durante o flashback, ele vem em uma sequência de quadros muito bem desenhados que dão ritmo a como as coisas saíram dos trilhos.

Com um destaque não apenas para a excelente cena do motoqueiro se arrebentando no domo, mas com a reação dos personagens, que bem, quem não reagiria dessa forma a este acidente.

Página 20 de Absolute Lanterna Verde #1

Quando encontra com Hal, algo me chamou atenção na fala do coração para Sojourner:

[…] Você existe no nível verde da luz. Precisa conhecer a si mesma para comandar a chama. Você não deve ter medo. […]

O que torna muito interessante essa possível relação do coração com os outros níveis de luz. Quando ele se apresenta como algo que está na ausência de luz, parece que seria algo contrário a ela, que tentasse fugir ou combater a luz, qualquer nível (cor) que seja.

Mas essa frase deixa muito aberta qual a real motivação do coração, quase como se ele não fosse um inimigo, vilão ou algo puramente mal, mas sim apenas um conceito, enquanto os outros níveis de luz também seriam apenas conceitos, e a ideia de bem e mal não fosse necessariamente uma relação binária, mas um espectro.

Essa ideia para mim se reforça quando vemos, durante o flashback, o contato de Guy com Abin Sur, e seu julgamento. Julgamente esse que não só oblitera Guy, em uma sequência de quadros muito foda, mas motiva Abin Sur a se defender matando ou ferindo os demais policiais na cena.

Página 48 de Absolute Lanterna Verde #1

No final do capítulo Hal ainda tenta nos explicar mais da relação do coração com os espectros de luz, ele os quer substituir os demais, “ganhar a discussão”. Mas e se no final, essas antigas entidades só não estão tentando todas fazer o mesmo?

Absolute Lanterna Verde vem, assim como as demais sagas do universo Absolute, como uma história bem interessante em uma narrativa que brinca muito bem com o horror cósmico e a dicotomia de bem e mal entre estes espectros de luz.

Por enquanto é mais uma série que vou tentar acompanhar na minha coleção… complicado, mó dinheiro em quadrinhos de super-heróis.