Transformers #1 - Robôs Disfarçados
Robôs gigantes, cores bonitas e o filme de 2007
O filme Transformers (2007) é, por incrível que pareça, uma das lembranças mais nítidas que tenho na memória de idas ao cinema. Lembro de que despretensiosamente eu, meu pai e meu primo fomos à pré-estreia aqui em São Paulo, com meu pai falando: vamos ver um filme de robôs que viram carros e saem no soco, ponto final.
Eu não conhecia Transformers na época, ou pelo menos não me lembro de conhecer, de robôs eu me lembro de versões de Megazord ou do Mega XLR da saudosa Cartoon Network. Nunca tinha visto os desenhos, os filmes dos desenhos e muito menos sabia da relação histórica da criação da franquia com o Japão – que, na verdade, fui descobrir só em 2025 lendo o excelente O Efeito He-Man.
Enfim, o que importa é que sai do cinema maravilhado. Eu por volta dos meus 11 anos fiquei encantado com aquele filme, com os efeitos, com o som, com a história e Transformers se tornou naquele momento um dos meus filmes favoritos. Quando estreou A Vingança dos Derrotados (2009) eu já não curti muito e desse ponto para frente a franquia de filmes foi apenas ladeira abaixo para mim.
Quando a Panini anunciou Transformers do Universo Energon eu me encantei quase na mesma hora pela capa. Uma arte muito bonita, com este estilo que brinca em aproximar os personagens dos brinquedos e com a premissa de uma nova série saindo no Brasil. Bom, só tinha uma forma de decidir se iria fazer essa leitura, eu convoquei minha esposa e disse, vamos rever Transformers (2007).
E vou ter falar? Eu ainda gosto muito daquele filme. Acredito que ele entrega bem o que ele pretende ser e tirando algumas galhofas ali no meio e uma hipersexualização da Megan Fox ele envelheceu bem. No final, eu estava comprado de ir atrás de adquirir o gibi mesmo que apenas por efeito da nostalgia.
Opa! Cuidado a frente
Escrever notas sobre leituras nem sempre é fácil sem trazer um pouco de
spoilers com o texto. Por isso queria avisar que desta parte do texto para
frente talvez existam spoilers de: Transformers #1 - Robôs Disfarçados.
Se não quiser que isso impacte sua experiência lendo estes volumes, volte depois
da sua leitura!
Este primeiro volume é ótimo, é um quadrinho confortável de ler, com uma história ok – já falo mais disso – e uma arte LINDÍSSIMA. Na verdade, eu só gostei mesmo deste quadrinho por conta da arte, então posso garantir que neste caso em específico a capa vendeu o livro.
Mas tá bom, vamos à história, e deixar o melhor para o final. Como comentei, a história é ok, afinal é um gibi de robôs gigantes saindo no braço com outros robôs gigantes, e alguns robôs menores e algumas pessoas. 90% do quadrinho é porradaria robótica, o que é muito legal, mas com um desenvolvimento muito simples dos personagens num geral.
Em alguns momentos o roteiro consegue apresentar bem a personalidade de personagens e seus alinhamentos.
Optimus Prime que representa a moral protetora dos Autobots, mostra sua empatia ao se deparar fragilidade da vida na terra ao pisar em um cervo e como ele não quer que a guerra de Cybertron nos atinja.
Ao mesmo tempo que Starscream (nome muito foda) é um retrato de como os Decepticons tem uma visão autoritária, militarista e de guerreiros impiedosos que só buscam o poder.
Em contra-partida o roteiro simplifica muito em criar uma relação do leitor com os personagens humanos. Eles são frágeis? Sim. Eles morrem de maneira bem violenta? Surpreendentemente sim. Eu tive tempo de história de me importar? Não muito.
Ainda que a narrativa busque nos apresentar a perda de personagens como o irmão do Spike ou o pai da Carly e como isso pode moldar os personagens, este primeiro volume não conseguiu, sozinho, criar vinculo nenhum para mim, o que espero que mude conforme a história avançar.
A arte desta edição está incrivelmente bonita, com traços marcantes, um excelente uso de luz e sombra e cores vivas, fortes, que agitam a leitura rápida das cenas de ação.
As onomatopeias se distribuem pelos quadros e preenchem muito bem as páginas, apresentando o dinamismo que a narrativa dos combates pede, apenas para serem complementadas pelo uso de traços, às vezes sujos, às vezes com efeitos, entregando bem o efeito de impacto e peso dos nossos colegas de metal.
O destaque máximo da arte fica a serviço das várias páginas de quadro único e das páginas duplas, que fazem um excelente trabalho de entregar a escala dos personagens e a grandiosidade de seus atos.
Transformers #1 - Robôs Disfarçados estreou muito bem, a meu ver, com uma história que ainda da para engatar, mas com certeza com uma arte que vale muito a leitura se você tiver esta oportunidade.
Por fim, se ainda estiver no ar, recomendo muito assistir essa montagem do YouTube para ver se você também anima de rever o filme de 2007.